quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Acervo Digital - Instituto Antonio Carlos Jobim

Em maio de 2001 foi criado o Instituto Antonio Carlos Jobim com o intuito de preservar e tornar público o acervo do Maestro Antonio Carlos Jobim. O espaço Tom Jobim, está localizado dentro do Jardim Botânico (Rua Jardim Botânico 1008) do Rio de Janeiro. O acervo conta com mais de 9000 itens catalogados, entre partituras, fotos, documentos, áudios, vídeos e textos.
O Instituto desenvolve projetos de catalogação, conservação e disponibilização de arquivos digitais também de outros artistas, e o espaço multimídia é aberto à visitação pública.
O que é muito bom é que este material está disponibilizado no espaço virtual e pode ser apreciado através do portal.jobim.org/pt/acervos-digitais/. Navegando pelo portal, o internauta tem acesso também aos outros acervos já organizados e digitalizados: Gilberto Gil, Lúcio Costa, Dorival Caymmi e Chico Buarque. E aguardar pelos que ainda estão em fase de organização: Milton Nascimento e Paulo Moura.
Vale a pena conferir.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Reflexão sobre a inclusão educacional

Muitas são as dificuldades encontradas pelas pessoas com deficiência, talvez até pela falta de conhecimento ou preconceito ainda tão presentes (infelizmente) em nossos dias. Os outros motivos que podem ser citados estão relacionados às barreiras ambientais – de acessibilidade arquitetônica, de comunicação, metodológicas, instrumentais e programáticas, algumas das dimensões que a UNESCO ressalta como importantes para a acessibilidade das pessoas com necessidades especiais.
E este é um assunto oportuno e urgente que precisa ser abordado não só no âmbito da educação como também da sociedade como um todo. Faz-se necessário: divulgar, pensar, discutir.
A acessibilidade física, fora e também no espaço da escola é uma necessidade primeira e básica para que as pessoas possam desenvolver a vida cotidiana, assim como a sua atividade escolar com maior liberdade, mobilidade, autonomia. A ausência de um simples corrimão no prédio, um detalhe que parece pequeno, faz toda a diferença para quem precisa dele. Mas além da necessidade de adequação dos prédios, há a das vias de acesso, do transporte, entre tantas outras.
Mas olhando especificamente, a legislação brasileira propõe (também) políticas voltadas para a inclusão de pessoas com deficiência na universidade. Portanto, é necessário que esta elabore, execute e gerencie ações de acessibilidade, oferecendo suporte em todos os níveis para que esta se efetive. Mas, é preciso enfatizar que, qualquer ação relacionada á inclusão e acessibilidade é resultado de um conjunto de esforços, onde cada um tem a sua contribuição e responsabilidade.

Outra barreira visível com a qual se depara é o despreparo dos professores em todos os níveis do ensino para acolher o aluno com necessidades especiais, podendo com isso influenciar negativamente, não só retardando o aprendizado, mas até mesmo afastando o aluno da escola. Nos dias de hoje já não há justificativa para tal realidade, embora esta ainda se faça presente, pois o acesso à informação (e formação!) em todos os níveis está disponível a todos os interessados.
A universidade de sua parte, deve se propor a capacitar o futuro professor, apresentando em sua grade curricular disciplinas que contemplem o ensino e a pesquisa para o uso de ferramentas adequadas, ou seja, métodos, técnicas, recursos educativos, às necessidades próprias destes alunos.
A tecnologia privilegia o ensino, especialmente o a distancia, disponibilizando um sem número de ferramentas que viabilizam a adaptação de materiais, tornando-os acessíveis as dificuldades dos alunos. Há que se ressaltar ainda a importância da cooperação e apoio dos professores especializados em educação especial neste sentido para as praticas dos demais, apontando e desenvolvendo possíveis soluções pedagógicas.  
Pensando no contexto da Educação a Distância (EaD), professores e tutores podem garantir a aprendizagem de estudantes com deficiência não só buscando o conhecimento específico, como também através da pesquisa, promovendo a discussão,  adequando  materiais e viabilizando as matérias na linguagem acessível a eles.
Enfim, concluo observando que é preciso iniciar as ações inclusivas desde a mais tenra idade escolar, tanto de acesso quanto de conhecimento, acolhimento das diferenças e promoção dos indivíduos. Através delas os educadores poderão contribuir, realizando “a sua parte”, para mudar a realidade em que vivemos. Esse pensamento é comprovado pelo que ouvi num depoimento de Luiz Flávio Bravo, um economista portador de deficiência visual, sobre a sua trajetória escolar: é comprovado que, através da educação é que as pessoas obtêm melhores condições de vida.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Educação Musical ,presencial ou à distância: para além de uma aula técnica de música.

Pesquisadores da psicologia da música e da educação musical constatam, e neurocientistas confirmam através de estudos, que a Música exerce profundas influências no ser humano, desde alterações fisiológicas, reações motoras e modificações cognitivas. 
E tudo isso pode ser nitidamente percebido desde a mais tenra infância, frente aos estímulos musicais que os bebês recebem. 
Quando maiores, as aulas de musicalização oferecem as primeiras atividades de interação. Para Vigotski, é a partir da relação significativa com o outro que ocorre o desenvolvimento dos processos psicológicos. As interações são fatores fundamentais para o desenvolvimento completo da criança, tanto na dimensão afetiva, social, cognitivo como na dimensão musical. 
Além de concluir que a música é importante na vida das pessoas, podemos afirmar que é um fato social. Ou seja, está para além daquilo que uma aula técnica de música possa propiciar. 
No caso dos adolescentes, por exemplo, a relação que eles mantêm com a música representa uma manifestação de uma identidade cultural caracterizada por dupla pertença: classe de idade e do meio social (Green, AM). As pessoas não são iguais e constroem-se nas diferentes vivências e experiências de tempo e espaço. 
Ciente de tudo isso, a educação musical pode propiciar, para além de seus conteúdos específicos, a formação dos indivíduos implantando projetos de ensino, trabalhando com diversidade de faixa etária, considerando as diferenças culturais e particularidades dos diferentes sujeitos. 
Rossely Ferreira (2010) afirma que viver em sociedade significa estar em constante conflito entre valores individuais e sociais. A busca do equilíbrio está em submeter aquilo que é nosso – desejos e direitos, aos do grupo. 
Koellreutter (1990), em seu texto “Educação Musical no Terceiro Mundo: Função, Problemas e Possibilidades”, cita um exemplo concreto do uso da música para desenvolver o contato humano: a improvisação em grupos. É preciso valer-se das oportunidades pedagógicas a fim de promover um trabalho de conscientização e desenvolvimento de potencialidades humanas, dirigido para a educação e melhoria de qualidade de vida do indivíduo. 
Desse modo, a educação musical propicia a partir das vivências em grupos em que se tratam diferentes valores, a possibilidade da pessoa estar frente a frente à necessidade de fazer opções. E escolher é uma questão de ética. 
Tão importante, é a contribuição que a educação musical pode dar propiciando aos indivíduos: através da experiência da coletividade, novas e intensas oportunidades de crescimento, preparando-os para construir princípios, sonhos e expectativas para suas vidas, que fazem parte do amadurecimento humano. Ao mesmo tempo, cada um é importante e insubstituível para o grupo. Isso desenvolve um senso de responsabilidade, autonomia, poder de decisão e cuidado. 
Seja na educação presencial ou à distância, a educação musical pode e deve atuar na educação em todos os níveis, como meio de preservação e de comunicação entre as pessoas, contribuindo para a formação integral dos indivíduos, e, por consequência, de uma nova sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
SOUZA, Cássia Virginia Coelho de. Conhecimento pedagógico-musical, tecnologias e novas abordagens em educação musical. Revista ABEM, 2006. Em: http://www.abemeducacaomusical.org.br/Masters/revista14/revista14_artigo10.pdf

KOELLREUTTER, H.J. Educação Musical no Terceiro Mundo: Função, Problemas e Possibilidades. Em: http://ead.sead.ufscar.br/file.php/1898/Material_Didatico/Texto_1_-_Koellreutter_-_CEEM_-_Ed_Mus_no_terceiro_Mundo.pdf SOUZA, Jusamara Souza. Educação musical e práticas sociais. 
Em: http://www.abemeducacaomusical.org.br/Masters/revista10/revista10_artigo1.pdf 

FERREIRA. Rossely Spejo. A formação de protagonistas sociais através da música. Em: http://www.andrefurlan.net/imagens/banco/bAnais_III_EEM.pdf

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ainda dá tempo: Natal com arte no Laboratório das Artes , em Franca

O papel da música na transformação humana

Em seu livro “Outras terras outros sons”, Maria Berenice Almeida e Magda Pucci escrevem:

Concebemos a música como uma das expressões humanas, uma das muitas linguagens utilizadas pelo homem para falar de si, do seu grupo social e de suas expressões sobre o mundo. A música não existe por si mesma, mas inserida num contexto sociocultural. Quando ouvimos, cantamos e no pensamento ou tocamos música, estamos penetrando parcialmente nesse grupo social e no pensamento desse homem que a criou.
Este texto define o papel da música na transformação humana: ela é capaz de ampliar a percepção do indivíduo sobre si mesmo e o mundo, e suas possibilidades de expressão e de comunicação.

É importante lembrar que música é parte intrínseca de cada ser humano e tem significado relacionado à auto-realização e ao prazer.

A educação pode se realizar em várias instâncias das relações humanas como na família, na rua, na igreja, entre outras, e portanto todas as relações homem-mundo são educativas, isto é, pressupõe-se que em todas elas se aprende e se ensina alguma coisa.

Ao educador cabe a significativa responsabilidade de formar e orientar o desenvolvimento do ser humano. Incluída na educação, a música pode ser um recurso para desenvolver aspectos da formação da personalidade e auxiliar novos aprendizados ao indivíduo. Para Violeta H. Gainza: “Educar-se na música é crescer com plenitude e alegria”.

Através da música podemos ampliar a percepção, a concentração, a imaginação, as possibilidades de expressão dos indivíduos.

Willems, ao relatar a sua constatação dos muitos resultados aos benefícios decorrentes da aprendizagem para o desenvolvimento do ser humano, sintetiza tudo o que aqui se poderia dizer sobre o assunto:

[A música] (...) enriquece o ser humano pelo poder do som e do ritmo, pelas virtudes próprias da melodia e da harmonia; eleva o nível cultural pela nobre beleza que emana das obras-primas; dá consolação e alegria ao ouvinte, ao executante e ao compositor. A música favorece o impulso da vida interior e apela para as principais faculdades humanas: vontade, sensibilidades, amor, inteligência e imaginação criadora. Por isso a música é encarada quase unanimemente como um ator cultural indispensável.
Referências Bibliográficas:
ALMEIDA, Maria Berenice de & Pucci, Magda Dourado Pucci. Outras Terras, Outros Sons. São Paulo: Callis, 2002.
GAINZA, Violeta Hemsy. Estudos de Psicopedagogia Musical. São Paulo: Summus,1988.
WILLENS, E. As bases psicológicas da Educação Musical. Bienne (Suíça): Edições Pró-música, 1970.

Primeiras impressões sobre Musicoterapia

Lanço um olhar sobre a história para compreender como se desenvolveu o uso da música como método terapêutico. Pode-se afirmar que a música, desde o início da história humana, tem feito parte do processo curativo de sintomas físicos ou espirituais. Alguns dos primeiros registros a esse respeito podem ser encontrados na obra de filósofos gregos pré-socráticos.

Tamanha influência ela tem sobre o homem, que mereceu ser objeto da observação científica, constatando-se o seu poder de levar ao bem estar e alívio ao corpo e a mente.

No século XVII, investigados os seus efeitos fisiológicos estabelece-se a relação da música com os ritmos corporais, pulso e tempo musical, o seu efeito sobre a respiração, pressão sanguínea e digestão. Ë neste período que a música consagra-se como tratamento específico para doenças psiquiátricas, onde é prescrita (ou não, dependendo do caso), produzindo efeitos curativos.

A partir de então, o próprio desenvolvimento tecnológico se encarrega de impulsionar tanto as pesquisas quanto a sua utilização terapêutica. A sistematização dos métodos utilizados começa, no entanto, após a II Guerra Mundial, particularmente nos EUA, quando da sua utilização no tratamento dos egressos da guerra.

Uma das definições de Musicoterapia mais conhecidas é a de que é a utilização da música e/ou de seus elementos constituintes, ritmo, melodia e harmonia em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização. Ou seja, é uma intervenção, cujo objeto formal de estudo é o comportamento sonoro do indivíduo. E como tal, atinge o profundo da mente do indivíduo. A música evoca sensações, estados de ânimo e emoções, reflete sentimento, e sendo assim, abre um leque de possibilidades terapêuticas.

Esse processo – intervenção - pode ser desenvolvido na área hospitalar para fins terapêuticos relevantes, a fim de atender as necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas dos pacientes. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele alcance uma melhor qualidade de vida através de prevenção, reabilitação ou tratamento, de tal forma que se afirma que, quando utilizado como coadjuvante no tratamento de pacientes internados podem até diminuir o uso de psicotrópicos no tratamento de quadros ansiolíticos e psicossomáticos. Algumas pesquisas demonstram ainda que a utilização desta técnica reduz o quadro não só de ansiedade, mas também de dor, e melhoram consideravelmente o humor.

A musicoterapia pode ainda ser utilizada com outros objetivos como os educacionais e recreativos, além dos anteriormente mencionados.

E finalmente, é importante ressaltar que a musicoterapia também trabalha interagindo com diversos profissionais como psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, entre outros.

Educação Inclusiva nos Documentos

A Declaração de Madri (Congresso Europeu sobre Deficiência, em 2002) destaca as novas concepções a respeito da deficiência, mediante a questão dos direitos humanos, em detrimento das antigas concepções que não sublinhavam a exigência de oportunidades iguais para todos os cidadãos e de sua inserção na sociedade como algo de direito. Quer garantir autonomia, inserção e participação do deficiente na vida da comunidade, com a eliminação de barreiras sociais. Neste sentido, assinala a necessidade de uma legislação antidiscriminatória para combater preconceitos e estigmas ainda existentes nos dias de hoje, e propõe para as autoridades européias ações concretas (promover vida independente, apoio às famílias, acesso aos serviços sociais, de saúde, educacionais, entre outros) com vistas á inclusão social das pessoas com deficiência.

No Brasil, os artigos 2, 5 e 11, do Estatuto da Criança e do Adolescente garantem às crianças portadoras de deficiências o direito ao atendimento especializado, inclusive médico - gratuito - através do SUS, e resguarda-as de qualquer tipo de negligência ou ato moral que atente aos seus direitos fundamentais. Da mesma forma, a lei nº 9394, das Diretrizes e Bases da Educação Nacional garante o atendimento educacional especializado na rede regular de ensino, estabelecendo o oferecimento de serviços de apoio especializado para atender às particularidades da clientela, tendo início na faixa etária de zero a seis anos. Assim como assegurar currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, professores especializados, educação especial para o trabalho e acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares. A lei ressalta ainda que, cabe ao poder público, viabilizar técnica e financeiramente o atendimento aos educandos com necessidades especiais.

O Parecer CNE/CEB nº17/2001 e a Resolução CNE/CEB nº02/01 são resultado da necessidade da elaboração de normas que rejam o atendimento a esta clientela. A Formação do Professor, segundo tema do Parecer, foi transferida para elaboração junto ao órgão de competência da Câmera de Educação Superior do Conselho Nacional e Educação. Ressaltando os diferentes perfis destes educandos, a resolução determina que tanto o professor de classe comum deve ser capacitado – desenvolvidas as suas competências - recebendo em sua formação conteúdos ou disciplinas em educação especial, quanto o de classe especial deve ser especializado comprovadamente em educação especial, e que estes devem apoiar os outros em suas práticas apontando e desenvolvendo possíveis soluções pedagógicas.